Sou nascido em Cascais mas orginário de uma familia bem tradicional da zona centro interior do pais (Concelho da Sertã), pela parte da minha mãe.
O meu pai (que deixou este mundo há cerca de 18 anos), era da zona de Viseu, e embora, seja dificil descortinar as suas origens tudo indica que a familia da parte da sua mãe seja originária de Judeus fugidos ao holocausto (o meu pai chamava-se inclusivamente David).
Desde cedo David das Neves tentou a sua sorte em Lisboa, mais concretamente, Algés, onde todos os seus irmãos (bastantes mais velhos), haviam se instalado regressados de África, após 25 de Abril.
O meu querido David, sempre teve orgulho ao afirmar que foi Júnior nos Belenenses, e que não seguiu a sua carreira porque tinha muitas debilidades fisicas e que “deram-me cabo dos joelhos, jogava muito eu”.
Embora tivesse muito carinho pelos azuis do Restelo, o seu coração era encarnado, e embora afirmasse ser do Belem, nunca conseguiu esconder o seu verdadeiro amor…
Amor esse que tentou naturalmente incutir-me, e conseguiu, até à sua partida. Mas eu sinceramente nunca me senti confortável com aquela camisola, embora me auto-intitulasse “benfiquista”, sempre olhei para o verde e branco com olhos brilhantes.
Foi então que no fatidico Agosto de 1998, alguém o levou (para um lugar melhor e sem sofrimento, espero), e com ele levaram então o meu “amor” pelo encarnado.
Lembro-me como se fosse ontem, estava junto ao café da minha mãe a jogar sozinho contra a parede, e dizer para um amigo que pairava por lá, “Eu sou do Sporting, a partir de agora sou do Sporting Clube de Portugal”, e ele feliz e surpreendido disse-me que não podia ser, que eu era do Benfica, mas eu insisti e disse sou do Sporting, e sempre serei.
E assim foi e será, o meu coração é verde e branco, e de um pensamento saltitante surgiu um dos maiores amores da minha vida, a paixão que me traz o maior sofrimento e me oferece as maiores alegrias.
Sofri pressões de todos os lados (a tal familia originária da Sertã, é Vermelha até ao tutano e são muitos), sempre fiz as mais fortes amizades, com benfiquistas e as minhas namoradas excluindo a actual (que nunca deixará de o ser, muito provavelmente), é Portista.
Nasci aparentemente para lutar por este amor e esta cor, contra o Mundo, e se for esse meu destino, orgulhasamente o cumprirei!
A decisão está tomada e com ela me sinto eu mesmo, serei até ao meu último suspiro um verdadeiro e apaixonado Leão de verde e branco!
Um Sportinguista vincado!

Amor sem paralelo!







