Ainda na ressaca do negócio “João Moutinho para o FC Porto”, lembrei-me de fazer uma reflexão a este caso.
Sem se saber bem porquê, tais jogadores não vêm o impacto que tais mudanças podem ter no seu futuro. Obviamente, que para os jornalistas isto é mel, mas enquanto símbolos para os adeptos, destroem os seus corações.
Se nos lembrarmos de transferências como a de Maniche para o FC Porto, ou de C.Rodriguez do Benfica para o FC Porto, Sokota do Benfica para o FC Porto, a transferência de João Vieira Pinto do Benfica para o Sporting, ou até mesmo de Jordão do Benfica para o Sporting, entre tantos outros vemos um elemento comum. A insatisfação….
Os motivos? São tantos q e tão diferentes que nem vale a pena falar deles…Mas todos eles levam à insatisfação do jogador. Não é agradável falar desses motivos.
O caso que mais me marcou foi a ida do meu ídolo de sempre, João Pinto, para o Sporting. Eu tinha um boné dele, com o qual andava sempre, um boneco cabeçudo dele, e pronto, adorava-o. E ela assina pelo clube rival…o Sporting. Foi uma facada no meu coração. Vê-lo ser campeão no Sporting foi horrível…
Mas por vezes, e esqueçemo-nos muitas vezes disso, os jogadores são profissionais, e como profissionais que são, aspiram a progredir na carreira e como tal a terem melhores salários.
Imaginem esta analogia, começar no Estoril ou no União da Madeira, clubezecos, é como começar no exército por soldado raso, depois vai-se evoluindo para cabos, Vitórias de Setúbal, Rio Aves e companhias, depois chega-se a capitão, Braga, Guimarães, e depois quer-se chegar a major, Sporting, depois a coronel, Benfica, Porto, e por fim tem-se o sonho de chegar a comandante supremo, Manchester United, Barcelona, Real Madrid.
E assim funciona também a cabeça dos jogadores, instigados sempre a melhorar os salários pelos seus empresários, que também devem receber algum…
Mas, isto é futebol, e futebol, como já escrevi, é racionalidade emotiva e emotividade racional. Logo, estes jogadores nunca poderão aspirar a ficar na memória e no coração dos adeptos, como Manuel José, Os cinco violinos, Jorge Costa, Víto Baía, José Águas, Eusébio, Rui Águas, Rui Costa e tantos outros que honraram a camisola de um clube com tanta dignidade.
Porque o futebol é diferente de tudo o que é normal, e como especial que é, para além de um jogador ter de ser bom, tecnicamente, fisicamente e tacticamente, deve ainda ter um grande coração!!!
PS: Moutinho não teve. Sofrerá por isso…
Francisco Fernandes