Porque o número sete tem estado actualmente em destaque no futebol português, quer na camisola de Figo quer na de Cristiano Ronaldo ou até mesmo na de Ricardo Quaresma, gostaria também de salientar sete motivos porque os adeptos não vão aos estádios:
• Primeiro: O futebol espectáculo está cada vez mais à beira da extinção nas ligas portuguesas profissionais de futebol. As equipas portuguesas de menor dimensão optam em jogar melhor na defesa do que no ataque, até aqui tudo bem, é uma opção táctica. No entanto privilegiar a defesa em vez do ataque não quer dizer defender com dez jogadores atrás da linha do meio campo e ter medo da bola quando esta vem parar ao pé. Muitas vezes vemos jogos em que uma equipa apenas não quer sofrer golos, apenas quer o ponto do empate. Cada vez há menos golos. No entanto o jogador português é bom tecnicamente, a técnica brasileira devia ser fruto das origens portuguesas não?
• Segundo: O preço dos bilhetes. Nós pagamos cinco euros para ir ao cinema, e há vezes que nos arrependemos de dar esse dinheiro devido à qualidade do filme, agora imagine-se vermos um triste espectáculo de futebol, como é o caso de um jogo português, e termos pago quarenta euros ou mais. O futebol está cada vez mais ligado à riqueza. Cada vez mais se vê negada a oportunidade das pessoas que apenas vivem dos rendimentos mínimos irem ver um jogo de futebol. Ora se em Portugal esta classe social é a dominante não admira que não se vejam muitas pessoas nos estádios.
• Terceiro: A segurança. Lembro-me de ir ver um jogo no Estádio da Luz, onde o meu Benfica enfrentava o Boavista e apesar de ter feito o melhor jogo da época empatou a zero. Claro que fiquei triste pelo resultado, no entanto fiquei ainda mais triste quando comecei a ver chover do piso superior do estádio isqueiros, petardos, TELEMÓVEIS! e mais objectos que já não me recordo porque corri rápido para não ser atingido com nada. É assim que querem que as pessoas se desloquem aos estádios? Onde em vez de sentirem os golos sentem os galos na cabeça devido a algum isqueiro que alguém atirou deliberadamente para aleijar. Só podem estar a brincar comigo.
• Quarto: As horas dos jogos. Ir assistir a um jogo de futebol medíocre às nove horas da noite de uma segunda-feira depois de um dia de trabalho é pedir muito mas mesmo muito a um adepto. Será que não existem sábados à tarde? Não devem existir, porque sinceramente, não me lembro nos meus dezoito anos de vida ter visto um jogo de futebol às três horas da tarde dum Sábado. E aos Domingos de manhã? “Não se pôde porque assim as pessoas mudam de religião, deixam de ir à igreja para ir ao estádio.” Triste!
• Quinto: A televisão. Um grande problema para os clubes. Qual será melhor? Pagar quarenta euros para ir ao estádio ver um jogo de futebol medíocre e apanhar com um isqueiro na cabeça ou pagar vinte euros e assistir a todos os jogos da liga portuguesa, inglesa, espanhola e italiana no meu sofá onde tenho o meu comando e posso mudar de jogo sempre que aquele não me agrada? Difícil resposta! É claro que num estádio se vibra mais, mas aquele meu sofá tão confortável…
• Sexto: A arbitragem pois não é sem sentido que é o que os comentadores portugueses, os famosos commentmakers, mais falam nos programas desportivos. A falta de profissionalismo e os casos Apito Dourado e Apito Final levantam sempre dúvidas sobre o resultado quando existe um erro do árbitro. Ora vejamos o caso do Benfica, que é campeão da Taça da Liga porque beneficiou de um penalty que não existia, ou o Porto quando segurou o primeiro lugar da Liga num jogo contra o Benfica em que mais uma vez houve um penalty mal assinalado.
• Sétimo: A cultura portuguesa e o seu pessimismo inato. Quando vamos a um estádio já esperamos um fraco espectáculo, pagar muito, ser agredidos e que o arbitro roube a nossa equipa. Tudo o que é nosso, português, não presta. “O Estádio da Luz continua em obras.”, “O Estádio Alvalade XXI parece uma casa de banho.”, “O do Braga corre perigo que a pedreira que está atrás dele deslize e mate todos.” São estes pensamentos do chamado “bota-abaixo” que acabam com o pouco espírito de luta que algumas pessoas ligadas ao desporto ainda têm. E enquanto toda a nossa mentalidade não mudar os estádios continuarão a estar vazios, o futebol a ser mau, a corrupção a existir e pronto estamos em Portugal, não faz mal…
Francisco Fernandes

O 7 que já foi de Figo e agora é de Ronaldo