Lisboa, 14 de Junho de 2008
Rapazes,
Tinha acabado de nascer e já ouvia o vosso nome, já ouvia o grito do nome de um país que encantava o Mundo saído por milhões de portugueses, loucos pelo feito conquistado na velhinha Luz… Os Campeões do Mundo, os jovens heróis erguiam a nossa bandeira o mais alto possível e faziam jus à nação verde e vermelha!
Já bem mais crescido, assisti e senti verdadeiramente o que era ser Português, e o que era a nossa Selecção. Não consigo explicar o que senti, porque o inexplicável não se explica, sente-se. Sente-se com uma expressão única no rosto, sente-se com um brilho no olhar e com o brilho de um meigo sorriso.
No final de tudo isso acabei por sair a chorar… A vontade de vencer era tanta que mal consegui digerir a famosa mão do Abel Xavier que nos fez regressar a casa mais cedo, sem uma medalha de finalista mas com muito orgulho no coração, por tudo o que fizeram.
Em 2002 voltei a chorar e, aí, aquilo que tomou conta dos portugueses e de Portugal foi a Desilusão…
Criou-se um clima de revolta, insucesso e muito desalento. Eram poucos os que voltavam a acreditar num Portugal guerreiro e vencedor.
Até que chegou 2004.
O mais marcante de todos os outros!
Os portugueses voltaram-se a unir, a nação renasceu e o país voltou a ter cor!
Portugal além de um belo país, que sempre foi, passou a ser um Anfiteatro Gigante, palco das maiores tensões, das maiores alegrias, portal para um universo de sonhos reais!
Tivemos uma cavalgada incrível dentro do campo, fora das quatro linhas, pelo ar, pelo mar…
Voltaram a encher-nos de orgulho tal como as varandas se encheram de bandeiras por todo o país, coisa nunca antes vista!
Devolveram-nos o sorriso, o brilho, a magia. Devolveram-nos a Alma. Alma Portuguesa!
Perdemos a final.
A tragédia grega assombrou por segundos um país que estava carregado de esperança, e toda esta história parecia que ia ser apagada e substituída pela palavra Pesadelo, mas não.
Desilusão? Nada disso. Orgulho, muito Orgulho!
Em 2006 voltamos a brilhar no campeonato do Mundo, competição onde acabamos por ficar pelas meias-finais, derrotados pela França – outra vez a França (!) – voltando a não disputar uma final do campeonato rei mundial…
Orgulho, Muito Orgulho!
Agora, na Suiça, já marcaram a data para disputar os quartos-de-final! Mais uma vez o brilho nos olhos voltou e a expressão única no rosto vai tomando conta de nós!
Que importa se estão presentes selecções com título de Melhor do Mundo ou que haja selecções com estrelinhas nas camisolas?
As nossas estrelas são 23 e brilham todos os jogos em palco universal! E o Melhor do Mundo? É português!
Por favor, continuem a vencer para continuarem a subir até ao limite, não parem de nos fazer gritar, chorar ou sorrir. Nós acreditamos, isso ninguém nos pode tirar!
Façam-nos voltar a sorrir, façam erguer orgulho meu.
Não parem de subir, o limite… é o céu!
Assinado: Um Português…